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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Na Natureza Selvagem

Esse filme me perseguiu durante o bom tempo que ficou em cartaz . Primeiro por ser do Sean Penn, que dirigiu o sensacional e subestimado A Promessa. Segundo pela trilha feita pelo Eddie Vedder. Terceiro por ter sido lançado quase que no mesmo tempo que eu havia acabado de assistir O Homem-Urso ( documentário do Werner Herzog) e ainda estava bem impressionado com toda aquela coisa de natureza, homem, selvagem, mato e tal.


Depois de assistir, acabei relevando os dois primeiros itens (Sean Penn e Eddie Vedder) e ignorei veementemente a terceira comparação (com "O Homem-Urso"). Apesar que muito pontuado pela trilha sonora e por alguns exercícios do diretor (alguns realmente sem o menor sentido), o grande trunfo é realmente o retrato e a história de Alexander Supertramp, e a inevitabilidade de sua história ser contada por alguém.

Deveria ser admirado pela coragem, pelo ódio que nutre pelos pais (que representam tudo que é ou pode ser maior que ele) e pela humildade de transgredir tudo isso, quando perceber que a tal "verdade" tão buscada não passa de uma projeção de uma consciência mimada e que a felicidade só é genuína quando compartilhada.


É o enaltecimento de um herói deslocado com uma incrível capacidade de abstração. A sua história permite que terceiros façam o que quiserem de seu mito, colocando-o no pedestal que bem entenderem. Poderia ser um filme panfletário sobre o romantismo ingênuo, sobre neo-hippies, sobre decadência da sociedade e tantas outras coisas que a história permeia, mas não chega a explorar. Apesar do retrato caricato da família (pais centralizador e frio, mãe omissa e crianças traumatizadas), é difícil de perceber o que existe além do óbvio da relações de todos eles, incluindo o velho que quer adotá-lo, a nova mãe hippie, a menina que é o espelho da irmã e todo mundo.


Talvez o que sobre mesmo seja contemplação e ter a serenidade de discernir que isso tudo não é uma disputa.



quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Os Selvagens da Noite (The Warriors) e seus infinitos reverberes

Esse post faz parte de uma nova série: filmes obsessão. Dentre os vários filmes que eu já assisti, existem aqueles que, mesmo assistidos mais de 4 vezes, nunca perdem a graça. Cada um deles acontece numa época distinta, e dois filmes-obsessão nunca se sobrepõem. Tipo Highlander, um dá lugar ao outro.

Dessas obras, muitas vezes não reconhecidas pela sua gr
andiosidade, surgem os tais infinitos reverberes. Qualquer coisa que faça parte do universo desses filmes que seja interessante o suficiente pra ser replicado\readaptado pra algum outro lugar desse mundão de meu Deus.

O primeiro deles é o mais recente dos meus filmes obsessão: The Warriors - Os Selvagens da Noite. Assistido depois de ter jogado a melhor e mais sensacional adaptação para videogames, The Warriors é algo que não pode deixar de ser assistido, nem por cima do cadáver da sua mãe.

Pra quem não entendeu, recursos audiovis
uais neles:



Com uma trilha e fotografia absurdamente
imersivas, que só cabem única e exclusivamente nessas cenas, nessa época e nesse filme, The Warriors é perfeitamente datado. Isso, perfeitamente datado.

Nesse clima de azaração entre gangues rivai
s que se vestiam com coletes e ombreiras, fazendo questão de mostram de que época vieram, um paralelo urrou em minha cabeça: Bandas que seriam ótimos boopers.

Tirando aqueles grupos excessivamente fantasiados, galhofeiros (sem bem que o Kiss seria uma ótima) muitas das bandas que existem por aí seriam ga
ngues perfeitas, que representariam bem suas, digamos assim, motivações musicais.

Então vamos começar.

Franz Ferdinand
Quem viu o baterista de botas vermelhas tocando no Circo Voador sabe do que eles são capazes. Além das referências nas músicas “Eleanor Put Your Boots On”, “Bite Hard” e “Jacqueline” são referências (por puríssima e inadequada livre associação minha) e homenagens aos exércitos da noite. Ó só:


"Eleanor Put Your Boots On"

Eleanor put those boots back on,
Kick the heels into the Brooklyn dirt,

I know it isn't dignified to run,
But if you run,

You can run to the Coney Island roller coaster,
Ride to the highest point and leap across the f
ilthy water,
(…)

Viu?

Justice
Por motivos óbvios.



Comunidade Ninjitsu
BRINKS, mas o seu é despachante.


Eagles of Death Metal
Eles tem o melhor nome de banda, a melhor banda e a melhor música. Sairiam distribuindo riffs, guitarradas e chutes giratórios.


Arcade Fire
Só pela quantidade de membros já seria o maior exército das ruas.

Gogol Bordello
Pela pose de revolto porém festeiro, mas talvez levassem um pau de qualquer outra gangue daqui.


The Hives
Além do vocal ser igual ao Alex (Malcolm McDowell) do Laranja Mecânica , só por essa fotos deles correndo na sua direção já deveria dizer alguma coisa.
Fora que a fúria bem medida dos caras bota medo. Quem foi no Orloff Five de 2008 sabe.

Otto
Ele seria todos os mendigos que vagam pelas ruas sujas de Nova York. E não adianta colocar copinho de vinho na foto não.


Motorhead não entra porque essa disputa não é digna o bastante para o Lemmy.

De todas essas gangues listadas, acho que a única que daria algum trabalho pro The Warriors são os caras do Eagles of Death Metal. Mais pela fanfarronice de que pela paudurescência.

E pra quem quiser entender com exemplos o que são os filmes obsessão tipo Warriors, segue uma lista completamente sem critério ou pudor:

Arrebentando em Nova Iorque / Old Boy/O Lutador /A Ilha da Garganta Cortada/ O Hospedeiro/ Blade/ [REC]/ Onde Os Fracos Não Tem Vez /Snatch – Porcos e Diamantes/ Senhor dos Anéis /Matrix /Tropas Estrelares /Zoolander /Madrugada dos Mortos /Ali /Cidade de Deus /A Vida Marinha com Steve Zissou /Jurassic Park /
Evil Dead - A Morte do Demônio /Uma Noite Alucinante /O Resgate do Soldado Ryan /
Amores Brutos /Querida Wendy /A Noite dos Mortos Vivos /Amnésia /Clube Da Luta/ Gladiador /Era Uma Vez no Oeste /Fuga para Vitória /Corpo Fechado /Sinais/ Bons Companheiros /Garotos Perdidos / Os Batutinhas/ Marcas da Violência /Fale Com Ela / ...

E outros milhões, cada um em sua devida época.


PS: Encontrei essa página que mostra um fã alucinado com os atores do filme nos dias de hoje. Sensacional.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Cidadão de araque

O que significa ser cidadão de algum lugar? Ou melhor, o que significa ser brasileiro classe média e ter como herança cidadania européia?

O que eu mais escuto pra justificar os anos na fila de espera da cidadania, gastar fortunas, buscar documentos nos confins da Terra é simples: poder viajar pra fora sem precisar ser considerado brasileiro e, na volta, não enfrentar filas na nossa alfândega, voltando ao tupiniquismo quando for conveniente.

Isso, sem PRECISAR ser considerado brasileiro que, além de precisar de visto pra quase todos os países do mundo, ainda assim tem gigantescas chances de ser barrado no aeroporto. Pimba.
Aterrorizante.


O mínimo de crítica é necessário. Já é fodérrimo pra caraleo tentar entender o que é ser um cidadão brasileiro, ainda mais ter DUPLA cidadania. Conheço alguns ditos cidadãos ítalo-brasileiros que não são nem um, nem outro. Quão típicas são as pessoas que a afirmação da dupla nacionalidade tem o mesmo peso de um pequeno título da Coroa Brasileira? Algo como um pequeno Duque dos novos tempos, que recebe aval pra gastar mundo a fora e voltar pra cá pra sonegar a lá vontê.

Partindo da minha mera e astuta capacidade de observação, concluí que quem normalmente tem acesso à cidadania é um completo imbecil aproveitador, que ao invés de tentar realizar efetivas troca de conhecimento, entender o que deu certo por aí, voltar para o Brasil e tornar-se algo de útil, fica pagando de fino, de glamourosa-rainha-do-funk exibindo o passaporte com adesivo da Ferrari (conheci uma pessoa que fez isso).

Aquela típica pessoa que acha que quem vai pra Índia volta um ser super iluminado, entendendo tudo sobre as mais de 240 mil entidades, negando qualquer coisa que ousou conhecer sobre Tupã, São Jorge, Ronaldo (o goleiro Deus), Exu e Chico Xavier. Volta com aquela linda tatuagem do Deus da Gonorréia e acho tudo lindo. Quem viu Viagem a Djarelling pode entender melhor.
Acho que é um pouquinho mais que isso. Sem levantar bandeiras ou qualquer um daqueles símbolos estúpidos, não dá pra ser considerado luso-brasileiro, nipo-brasileiro, ítalo-brasileiro ou qualquer-brasileiro sem ter o mínimo dos dois lados.

E desses vários lados, teve um que eu conheci primeiro. Algum que os meus amigos descendentes de japas sempre me deixaram fascinado era presença efetiva do Japão nas suas casas. Tudo bem que os pais deles eram vindos diretamente de lá, que as coisas que aconteciam por lá ainda estavam mais vivas. Mas o pai de um que tinha uma plantação de shitake/shimeji (isso no meio da década de noventa, onde comida japonesa ainda era exótica), uma mãe que só falava japonês com o filho e a outra fazia bonsais como hobby, são coisas que chamaram a atenção de pra um menino que comia arroz e feijão em praticamente todas as refeições, jogava Super Nintendo, e se divertia com o Doug Funny.


Foi incrível experimentar o primeiro temaki feito pela mãe do amigo, regado à muito niguiri e aquele bolinhos de arroz-com-arroz. Isso sem falar no moti, o doce de feijão, que na época era tão estranho quando degustar um picolé de chuleta.

Isso tudo só pra ilustrar o quão longe a Itália estava pra mim na época, e o quão perto estava para os meus amigos, os descendentes dos próprios. Tudo bem que nós italianos, tão enraizados, tínhamos o gnhocci (que só ficava no ponto certo se você amasse as paradinhas com o garfo enquanto falava mal de alguém), lasanha, Adoriran Barbossa e tudo mais, mas a Itália em si era um país to distante quanto a Espanha, Portugal, Luxemburgo ou a Zona Leste.

Sendo eu descente direto de italiano, as únicas coisas que sei sobre a Bota é a sua assustadora direita, da ajuda do exército brasileiro deu na Segunda Guerra contra o Mussolini, que Calábria tem alguma coisa a ver com calabresa, o caso Battisti, os filmes do Fellini, alguma coisa de Spaghetti Western e um entendimento de orelha sobre comidas (bracciola, bruschetta, canelone, e tal).



E mesmo assim é muito mais que eu sei sobre a descendência do meu bisa negão, minha bisa portugesa ou meu avô espanhol. Talvez por conseguir o tal passaporte e por sermos grandes baba ovo ded metrópoles, a italiana seja a mais valorizada. Precisava começar por algum lugar, né.

Na real, gosto mesmo é de macarrão com feijão, que aprendi com a minha vó índia/negra do Rio Grande do Norte. Se for feijão de corda, melhor ainda.

Vou tentar fazer com que a dita “regalia” do passaporte sirva pra alguma coisa além da mera superioridade desmiolada. Pelos menos aprender alguns xingamentos e trazer pra cá, já que merda, buceta e caralho logo cairão em desuso.

PS: Este post foi patrocinado por Darcy Ribeiro e o livro O Povo Brasileiro, assim como a vontade de ser descendente direto dos Gaykurus.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

O melhor show do mundo do último fim de semana.

Quem disse que sueco é frígido, loiro, branco (vermelho quando pega sol) e muito liberal? Ok, loiro, branco e muito liberal até dá pra concordar, mas frigidez é a última coisa que dá pra acreditar depois do Hives.

No Festival Orloff Five, foram riffs histéricos, saltos ornamentais, batidas no peito a lá King Kong, dedos apagando a brasa dos mamilos e rock, um belo e barulhento bocado do bom e velho rock.


Grande parte da barulheira e da empolgação que chegou pro Hives foram resquícios do pandemônico, apocalíptico e absurdamente transcendente show do Melvins. O que era pra ser um power trio das profundezas, acabou entrando com dois bateristas e virou um über-mega-power-ultra trio de quatro pessoas. E eles ainda tiveram a pachorra de cantar o hino americano, se divertiram com os copos e papéis jogados e foram embora.


Dá-lhe tomar uma cerveja e discutir política, super propício.

Vieram as meninotas do Plasticines. São todas bonitinhas, que entravam na Milo da terra delas e não pegavam fila, e decidiram montar uma banda. Aprenderam a tocar direitinho, fizeram umas musiquinhas lá e teve gente que gostou. Cansou logo na terceira música, com tudo agudinho demais.
E aí eles entraram. Com o coroado agazão preto-e-branco ali atrás (sim, eles são notáveis corinthianos), coisa ruim não iria aparecer. E, dizem as más línguas, que foram quase duas horas de show intenso. Notei uns 10-15 minutos, no máximo. E pra sair com alma lavada, torcida e escorraçada, faltaram Outsmarted e Untotured Youth. Tudo bem, na próxima, quem sabe.

PS Nacional: O Vanguart também apareceu. Tocou exatos 45 minutos, aquelas que quase todo mundo sabe, e foram embora. Depois do ter ido no quarto show deles, agora só quando lançarem alguma coisa nova.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Estas, mais de mesa.


Um clássico unânime, que mesmo os mais puristas e dengosas hão de concordam que Lasier Martins e suas uvas mais de mesa, são ídolos e exemplos da força brasileira. Repórter de matérias radicais que desafiam a morte certa nas mais surpreendentes e eletrizantes coberturas jornalísticas., esse vídeo mostra mais uma, talvez a mais perigosa, de suas aventuras:




Os pontos chave para uma real apreciação desse vídeo são:
1- Repare na imensa variedade de uvas, tem até um tipo X-men.
2- Tardia de Caxias. Se eu fosse uva gostaria de ter esse garboroso nome, só trocaria Caxias por Carapicuíba. Tardio de Carapicuíba.
3- Estas, mais de mesa. Que ca-ra-lhos é uma uva mais de mesa?
4- Um choque! Axuda aqui!
5- A extrema preocupação da apresentadora com o corajoso Lasier, que arriscou sua vida pela matéria. Mas são ossos do ofícios, quem mandou escolher a Profissão Perigo?

Sem dúvida, um sobrevivente.

Antes que os mais puristas e sentimentalóides choraminguem de maltrato com idosos, Lasier passa bem e não teme o perigo, continua investindo na carreira de repórter investigativo. Aprecie abaixo.



O seu Lasier e suas uvas mais de mesa foram uma das primeiras gafes que assisti pelo Youtube e, desde então, venho procurando ilustres exemplos de gafes brancas, daquelas que não machucam, só expõem ao ridículo. Nessa linha, em uma dica de Zé, o Macho de Castro, me apareceu o FailBlog e descobri a felicidade infinita.

Clique nessa belíssima imagem e perceba que a imbecilidade não respeita fronteiras...
dogjumpfail.jpg
see more pwn and owned pictures
Bjos
Fernando Pederneiras.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Humor de colégio


Que a internet está recheada de milhões de hectares de bobajadas, isso todo mundo já sabe Agora, descobrir que alguns desses ditos besteróis são homéricas sagas contemporâneas de angústia, frivolidade da alma e o recesso do ser, pouca gente percebe. OK, deslumbres momentâneos a partem, é difícil encontrar adjetivos que consigam ajudar a descrever o morfossintaticamente artesanal e psicotrópico humor de banheiro cravejado de diamantes do College Humor.


O cretino slogan “Funny Pictures, Funny Videos, Funny Links!” pode assustar os mais puros de coração, mas não esmoreça! O site é fantástico, com piadinhas em todos e mais obscuros becos que valem uma bela fuçada (se procurar direito encontra até uns peitinhos). Se estiver com pouco tempo, vá direto para os vídeos, mais especificamente para a série Hardly Working. Segue um petit exemplo:



Obviamente, de tão viciando, você trabalhará (se trabalhar né, vagabundo) ainda menos.

Se gostou, mas perdeu o Foco, procure pela série Street Fighter – The Later Years Essa é só pra aqueles que usavam a técnica de colocar o dedão na camiseta pra não se acabar de calos dando Hadukens, Shoriukens e Atché-atché-tchuguem. São nossos heróis de 16 bits em carne e osso, curtindo a aposentadoria e provando por A+B que a terra do Tio Sam não trata ícones com o devido respeito, pau neles!

E o mais legal é que essa trasheira tem uma produção cabulosa, deixando tudo ainda melhor. Como nome diz, é humor de colegial. Se você ainda estiver no ritmo brincar de lutinha, sinta-se em casa; se já for um jovem adulto cheio de responsabilidades, volte para esse tempo áureo; se for um velho gagá, entenda por que seu neto tem sérios distúrbios psico-sociais , e aproveite pra pegar um pouquinho pra você. Diversão pra toda a família.

Nessa mesma linha, não esqueça do pessoal que fez os fantásticos Superbad, Ligeiramente Grávidos e O Virgem de 40 Anos, que ainda terão um quinhão aqui no poético bacanal da volúpia digito-social.

100 +

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Filme de Monstro, monstro de filme


Pobres namoradas. Antes mesmo de ter que agüentar a nova leva de adaptações dos heróis dos quadrinhos para o cinema, já existiam os filmes de monstro. É não são aqueles filmes de monstro classudos, bonitos, cheios de carga dramática a aflições como são Nosferatu, O Exorcista (pq o diabão também é monstro) e afins, mas aqueles bem farofeiros, que dá até dó de levar qualquer tipo de companhia que não seja seu irmão ou amigo mais novo.


Mas as coisas estão mudadas! Quem assistiu O Hospedeiro, sabe do que eu tô falando. Lançado um pouco antes da bomba Cloverfield, muito mais pretensioso e superestimado, a Coréia do Sul manda essa obra-prima, que passa por todos os gêneros-gêneros (comédia, ação, drama, terror, bla bla bla) e cria uma coisa nova. Fantastique, esse filme até menina pêra-com-leite gosta. Não ficava tão feliz com o cinema oriental desde a maravilhosa Trilogia da Vingança (Sympathy for Mr. Vengeance, Old Boy e Lady Vengeance), tríplice de Chan-Wook Park.


Aliás, filmes de monstro são uma das mais nobres categorias cinematográficas. Apesar de uma gama gigantesca de possíveis sub-gêneros como zumbis, E.T.s (ou Osnis), vampiros, fantasma, lobisomens, mutações genéticas, dimensões paralelas, cyberespaciais, do lodo, da lama, do pântano, e até do armário, todos têm alguma coisa fascinante em comum. Alguns mestres são passíveis de citação como Dario Argento, George A. Romero, Fritz Lang e o ilustríssimo Zé do Caixão. E é por essas e outras que vou dissecar com astúcia, malícia e suíngue os diversos gêneros de filmes de monstro e as coisas mais legais já feitas.



Lá vai. Mas antes:

PS Realidade: Tem monstro oriental gigante em Minas! Uma carpa de 63kg e de aproximadamente 15 anos foi pega por um minerim muito do sossegadim que assustou com tamanhão do bichão que ficou na rede. Não ia ter a menor graça se o Godzilla invadisse BH...

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Sam Rocka Legal

Um daqueles atorezinhos que veio surgindo devagar, carcomendo pelas beiradas de produções toscas, filmes C com o Bem Affleck e podreiras afins, que tem uma cara e uma pose tão características que não tinha como passar desapercebido.

Ele come de boca aberta, vomita palavrões, grita, esperneia, abre espacate, pega as Panteras, soca, pinta e borda. Enfim, uma personalidade lixão que só serve nos personagens mais legais.

Ele chamou a atenção pela primeira vez quando assisti A Espera de Um Milagre, aquele do corredor da morte que fez um estardalhaço, o filme preferido de 4 entre 5 fofos do segundo grau do longínquo colegial. Ele fazia o papel do serial killer alucinado que cuspia merda (ou era bolo de chocolate?) e mandava todo mundo pra puta que o pariu e parecia ser o único que parecia estar curtindo o rumo a cadeira elétrica.

E continuei vendo aquela cara esticada meio amassada em algumas produções menores, que sempre ficavam com um pé no independente e outro no blockbuster, mas sempre fantásticas.

Tirando a única bomba (que eu me lembre), a lástima gostosa que foi As Panteras, ele só fez coisa legal. Se juntou a David Mammet, rei dos bons filmes de ação em O Assalto. Depois, foi um dos pontos altos do filme do Guia do Mochileiro das Galáxias, como o Presidente da galáxia Zaphod Beeblebrox. Encarnou o mais malaco dos malacos em Os Vigaristas, um dos filmes mais legais do Ridley Scott, e ainda teve tempo de fazer um papel no escondido Tudo Por Um Segredo, produção subestimada que acabei assistindo sem querer.


Mas tem um filme que foi o auge, o pico everestiano. Dirigido pelo canastrão e ainda assim um puta diretor George Clooney, roteirizado por Charlie Kaufmman, guru da não tão nova nova geração, veio ele: o fantástico, o pitoresco, o todo torto Confissões de Uma Mente Perigosa, uma das biografias mais intensas já feitas pelo cinema.


Ainda que no meio de uma constelação de atores fodões, Sam Rockwell se destaca e parece a única pessoa no mundo capaz de interpretar esse Chuck Barry. Quem sabe quem foi , sabe que não é pouca coisa, e quem não sabe, pare de ver Em Nome do Amor e vá logo assistir.




O último filme dele lançado aqui no Brasil foi o Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford, onde faz o papel de Charley Ford. Tanto Casey Affleck (Robert Ford), Brad Pitt (Jesse James) e o Sam Rockwell estão brilhantes, cada um com sua imaturidade, serenidade e insensatez de cada personagem. Esse é outro ponto alto do cara, apesar do filme inteiro sre uma obra-prima. Parece alguma coisa diferente, uma espécie de drama psicológico de pistoleiros reais, de um bando de gente de verdade que sabia exatamente como virariam história. Todo nebuloso, mas perfeitamente claro.


E agora, lendo o Update or Die, vejo que o filho da puta ainda vai fazer o protagonista de um dos livros do Chuck Palahniuk (o mito). Só o trailer já do o gostinho, que tem algo como Clap Your Hands and Say Yeah! na trilha. Esse vai ser foda.


É o Choke:


PS: Ele ainda participou daquele seriado infanto-bizarro Pete & Pete, do Celebridades do Woody Allen e aquela super adaptação do Sonho de Uma Noite de Verão.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Marveloso


Quadrinhos e os filmes sempre foram duas de minhas paixões que, na maioria das vezes, sempre estiveram muito distantes. Cada qual tinha seus gênios, suas obras-primas, ídolos indies e toda a papagaiada que as artes de alcance gigantesco costumam ter.

Antes, todas as adaptações eram mequetrefes, feitas para tv, com atorzinhos sem vergonha, principalmente os meus preferidos anti-heróis 80/90 legais da Marvel. Óbvio que os clássicos da DC, como os dois primeiros Batmans sensacionais dirigidos por Tim Burton (Jack Nicholson com Coringa, Danny de Vito como Pingüim e Michelle Pheiffer como Mulher-Gato que o digam) e os Superman com Chirstopher Reeve, tinham seu charme, mas faltavam os Marvelosos!

Achei pérolas horrorosas ns locadoras, como um Homem Aranha que não existe nem o grande oráculo audiovisual IMDB, que o Peter chamava algo como Pedro e desistia da vida de herói porque machucava o braço. Ou o Hulk de mullets verdes, o Capitão América de lantejoulas ou o Justiceiro feito pelo Dolph Lundgren. Êta terror.









Hediondos.

Bom, mas ultimamente tenho visto coisas fantásticas nos cinemas, como o mais que digno Homem de Ferro. O gibi sempre foi bestinhas, visto que disputava o espaço na estante com estórias apocalitobombástiexplosivas do Homem-Aranha, X-men, Deadpool e do tsunami que foi o Massacre, matando geral.

E agora ele reaparece lá, com o rei Robert Downey Jr. fazendo o Tony Stark, o prayba.Ô pessoalzinho irresponsável!

Tudo é super unilateral e tão propagandístico que nem tentam disfarçar. O vilão É SIM afegão, tá? Só a falta de escrúpulos é estadunidense, a maldade pura é dos afegãos opressores. Mas esse olhar simplista de um ambiente complexo, que só transformaram o heróis pelas circunstâncias, é perfeito! Como a visão burra de um americano mimado seria minimamente coerente se ele se postasse contra os EUA? É grudado ao personagem, que não passa de um muleque de 16 anos maior de idade, inteligente, malaco, pretensioso e com brinquedos caríssimos.


Fiquei realmente feliz, ainda mais depois de ver o assassinato-com-requintes-de-crueldade que fizeram com o pessoal do Quarteto, com o Justiceiro, O Demolidor e O Motoqueiro Fantasma, obras que deveriam ser queimados e abolidas.

Além da produção ser fudida, a cena final me deixou curioso e apreensivo. Depois dos fantásticos créditos (falados pelo Merigo aqui), aparece Nick Fury, o fodão da S.H.I.E.L.D, uma agência governamental do Universo Marvel que permeia praticamente todas os personagens.

Ele cita um grupo, o tal dos Vingadores, e aí que a coisa me cutucou.

Mas isso fica pro próximo, o lado nerd acabou aflorando mais que o necessário.

Serviço: Tem show do Mombojó e China (Sesc Pompéia) e do Vanguart (Outs) nesse feri, dá-lhe!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Michael Mann, my man



Tudo começou com aquele cartaz misterioso do Ali no cinema do Raposo Shopping, em meados de 90 e algo. O Will Smith como maior e mais incrível pugilista de todos os universos soava, no mínimo, interessante. Como o magrelo dito cujo preenchia minhas tardes ociosas como o Príncipe Fresco de Bel-Air (ou Fresh Prince of Bel-Air, para os colonizados) poderia interpretar um peso-pesado que flanava como uma borboleta e ferroava como uma abelha?

E aquele maldito filme nunca apareceu no cinema. Passaram-se muitos invernos e nada do campeão aparecer. Desolado, vaguei pelas locadoras em busca de algo que pudesse suprir minha carência. Resolvi partir para a com violência gratuita e tramas entrelaçadas repleta de explosões. Passei por todos os Duro de Matar (na época só tinham dois), Rambos, Vingadores do Futuro, Exterminadores do Futuro, Escaramuçadores do Futuro, Professores do Futuro, entre outras bombas protagonizados por Mark Dacascos, Dolph Lundgren e o insuperável e sensacional Jackie Chan, atores esses que merecem posts futuros.

Numa dessas andanças encontrei uma antiga pérola que nunca havia assistido: Fogo Contra Fogo, com Al Pacino e Robert de Niro juntos, dando tiro pra tudo quanto é lado enquanto o Jim Morrison (Val Kilmer) solta suas penas de um lado pro outro. Baita filme, incrível como superava qualquer outra coisa do gênero que já tinha assistido. Pois bem, ficou na memória.

Algum tempo depois, encontrei num despretensioso canto de lançamentos não tão novos, aquela cara de parede, com protetor de dentes. Era ele, o campeão, foi direto pra locadora! Bumaye Ali! E o melhor, o filme não só atingiu como superou (olha que isso é bem difícil!) todas as minhas possíveis expectativas de mero mortal. É incrível, toda a reconstituição, todo o roteiro, todas as lutas, as personalidades. E, principalmente, a direção.

O filme tinha tudo pra chamar a atenção sozinho e deixar o diretor de lado. Foi o primeiro filme que tinha alguma coisa diferente assim na tela, alguma coisa granulada, menos profunda, mais seca, quase impossível de explicar. Fui descobrir, muito tempo depois, que aquilo tudo era filmado em digital e feito pelo mesmo diretor de Fogo Contra Fogo!

Eram dois filmes que por mais que fossem mega classudos, eram muito diferentes. O Ali parecia filme de um promissor novato, um diretor maluquinho filho de mestres que pegou o jeito da coisa e mandou ver no digital. O do Fogo, um velho sacana de boina da velha guarda da ação que passou impune pelos horrores da década de 80 (incluindo Chuck Norris) e fez a última obra-prima do gênero nos 90. E no final das contas eram a mesma pessoa! Sen-sa-cio-nal.

E aí veio Collateral, o quase perfeito. E a única coisa que me incomoda no filme (cuidado! spoiler!) é aquele maldito final, que insisto em acreditar foi imposto por produtores politicamente corretos.

Despues, Miami Vice. Nunca assistiria Miami Vice se não fosse pelo diretor admirado. Aquela série dos puliça malaco usando blazer branco em Miami nunca me apeteceu. E o melhor, é tão bom quanto Collateral, Ali e Fogo Contra Fogo. Obrigado Senhor.

Agora veio isso, um comercial da Nike intitulado Leave Nothing, dele mesmo:


Depois disso, só posso esbravejar: Michael Mann, my man!

E dá até vontade de assistir O Último dos Moicanos, que também é dele.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

O exótico critério Curíntiano e o espírito Datena de ser

Ah Curíntia, minha paixão. Mesmo com os dirigentes incompetentes coniventes a deplorável situação do futebol nacional, ele continua lindo e pitorescamente inovador.


É só analisar os fatos separadamente. Um time falido, com uma baita torcida gigante e atuante (pelo menos na hora de reclamar e intimidar jogadores), jogadores para compor elenco como promessas, segunda divisão com campeonato nacional, estádio capenga e dirigentes corruptos, qual seria a solução mais óbvia que resolveria todos os problemas numa tacada só?

Investir em automobilismo! Isso, vamos fazer um carro de corrida e participar da Fórmula Superliga, competindo com outros super carros de clubes do mundo inteiro! Mila, Galatassaray e o Mengão estarão nessa que prometa ser a disputa mais emocionante da categoria!


Não é possível...Assim fica difícil até de torcer né pessoal. E ainda por cima lançam em homenagem aos torcedores roxos uma belíssima camisa...roxa. O pessoal de Itaquera, da Gaviões e da Camisa 12 devem ter adorado. Lembro bem quando sofri represálias por estar de brinco no meio da rapaize organizada, agora de roxinho então.


E esse é o perdigão. Que foi expulso no último jogo e fez muita falta. Tanto estética como tecnicamente.


PS DENÚNCIA. Datena, na tela!

-Aumentar o rigor e a fiscalização no trânsito e, conseqüentemente mas não exclusivamente, meter a mão no bolso dos motoristas não adianta nada se a merda da Máfia das Auto-escolas continuar. Se o curso fosse realmente feito para formar motoristas e comprar a carta não fosse tão fácil , tenho certeza de que o trânsito seria muito menos estúpido. Mas é tão mais fácil

Essa reclamação não é xilique de quem perde todo o salário furando faróis, matando velinhas e burlando rodízio com fita isolante. Meu carro pode parecer um pequeno pandeirinho com seus quatro cantos batidos, mas multas nunca.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Comidinhas e comidelas



Saíram a primeira e a segunda
parte do aguardadíssimo Guia da Gastronomia Trash Paulistana. É um pequeno bestiário das guloseimas e acepipes que inundam e dão cor as nossas vielas, avenidas e chapadões.


Andrézão, ferreiro de profissão e amante de criação, decidiu escrever esse Guia para os infantes pêra-com-leite que estão deixando crescer a barba e pretendem se lambuzar no baixo clero paulistano antes de virarem respeitados donos de multinacionais descolados. Ou quem sabe criar um blog que dê dinheiro.


"Sensacional, soberbo, condizente.Uma deliciosa fonte de nutrição para alma e coração." - Revista Gula


"Grande e gostoso." - Revista G


"Polêmico autor de blogs suspeito de lavagem finaceiro-intestinal" - Jornal Agora


“Cruzes!” -
Gustavo Casabona


“Papilas gustativas são acalantadas pela efervescência cerebral desse jovem matuto. É a sabedoria de alma de um ego não classificável, que não está viciado pelo meio editorial” – Márcio Canuto


Depois do Guia, o próximo projeto será um delicioso passeio por todos os recintos que tenham as delícias listadas. Feito por um grupo de especialistas com intestino de aço inox (como disse Mico ao comentar sobre os indianos e seus hábitos alimentares), o "Guia Prático com Endereços, Notas e Nome dos Tiozinho da Culinária Trash Paulistana" sairá em breve, assim que encontrarmos alguém que patrocine o papel higiênico e o LactoPurga.


Para diminuir a expectativa, seguem alguns links de sensacionais blogs alimentícios:

Mentes Ociosas - Tem a análise da melhores e mais pitorescas guloseimas dos armazéns de San Pablo. Sensacional.

Dadivosa - Esse é de comida de verdade. Muito apetitosa, mas só consigo olhar.

Vale9Conto - Peripécias de almoço e guia pra Berrini e região.

domingo, 25 de novembro de 2007

Ah o Mar! Película azule

O Mar! Saudoso companheiro que nunca vieste. Nada melhor que as películas vistas da quentinha poltrona de um cinema ou de um sofá engolidor de pessoas e ambições para conseguir retratar o megalomaníaco incógnito que é o Azulão.


Com o Mar, vêm as pessoas que nele navegam. Os estivadores, os lobos, os piratas, os capitães, os Lusíadas, os amendoins, as sereias. São tantos bravos desbravadores que citar nomes seria tão injusto quanto ter uma garganta cortada por um embriagado bucaneiro em troca de três vinténs e um biscoito de salmoura.

Lá vão os melhores:

-Como melhor crônica, melhores personagens e melhor canja pro coração: A Vida Marinha com Steve Zissou, a obra-prima. Um retrato fiel e cotidiano de um dos maiores exploradores/ pesquisadores marinhos que o planeta água já teve. Mergulha de cabeça numa caçada rumo ao desconhecido, motivado pelo mais nobre dos sentimentos humanos: a vingança. É lindo, é do bem e é colorido, sem ser franga pepino-do-mar filme de mulherzinha. Coisa de macho que é tão macho que tatua um cavalinho marinho roxo no colo do útero.




-Como maior angústia do mundo e provável causador de úlceras fortíssimas: Mar Aberto, o terror. Nenhum marujo que se preze subestima os perigos do mar, muito menos os trata como diversão...foi esse o ledo engano do casal ternura protagonista. Pra quem acha que o mar é só marola e golfinho. Há, macacos mimados.




-Como falcatrua realista, coisa de quem monta maquetes de porta-aviões escala 1:50 da Revell: Mestre dos Mares, o Lado Mais Distante do Mundo. Só pra quem é fluente em marinherês, já que sempre que o gajeiro se prepara para manobrar a bujarrona sete braças à bombordo, esperamos que saia um drink, daqueles com gardachuvinha colorido e tecos de abacaxi. Mas não deixe que isso te intimide, a embarcação é firmeza e a tripulação faz de tudo pra te deixar o mais confortável possível.


-Como exemplo desconexo e que só tem a ver com mar por motivos freudianos: Chuva de verão. Só não desidrata de chorar ao assistir quem já está mergulhado no mar. O Mar faz apenas algumas aparições como coadjuvante, vezes cômico e sempre trágico. É de doer, tem cheiro de infância com Sundown e mojitos, mesmo lembrando do filme inteiro como um copo aguado de whisky com gelos acinzentados.


Agora, antes de voltar a garrafa de rum, recomendo o blog do Almirante Nelson, marinheiro de longa data.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Perry Bible


É gênio! Conheci a Bíblia do Perry em um post no PensarEnlouquece, blog muito bacana do Alexandre Inagaki, um japa experto.

O Seu Perry tá pra Malvados assim como Maradona está para Pelé
...um gringo que manda muito bem, mas um pouco burro. Uma fã brasileira entrou em contato com o autor pedindo autorização para traduzir as tirinhass e ele, muito simpático, concordou: "Claro! Assim abro uma seção das tirinhas em espanhol!"

Um gênio meio burro.

http://tpbf.wordpress.com/
em português
http://pbfcomics.com/ no original

quarta-feira, 3 de outubro de 2007


Sandman é a beirada, e o que junta. Humaniza personagens fantásticos a ponto de tratar nós mesmos por seus pontos de vista. Nós somos considerados gente porque nascemos nessa infundada condição. Eles, não.

Cada qual sabe a dor que lhe acolhe e o (des)prazer que os espera, e convivem com as certezas eternas que para nós são mistérios infindáveis, abismos injustos. Crise existencial é só pra quem é humano, indisposto e insatisfeito. Quem sabe seu lugar apenas exerce função, respaldado pelo resto para não transgredir.

Sandman é justamente sobre transgressão, das mais impossíveis. Da Morte renegando sua função, do Sonho que deixa de sonhar, na face pacífica da Destruição e a indecisão do Destino. São as
aflições dos perpétuos que nos guiam pelas permeias de nossa consciência. É por aqui que navegam Tom York, Michel Gondr e outros, que constroem coisas mais concretas que qualquer verdade.

Suas divagações universais talvez não acessíveis para tem os dois pés e a cabeça firmes no chão. Solte um. Ouça, leia, intimide-se e incline para ver melhor. Solte o outro, sem nunca mais esperar se apoiar em lugar nenhum. E pronto.


Só é fantasia porque não existe.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Zidane - Retrato do Século 21

Quem diria que 90 minutos de diversas câmeras (35mm e HD) sempre (des)focando seu Ziszou pudesse virar um filme? Documentário a lá vídeo arte. Não consegui assistir até o fim, mesmo porque não estava esperando assistir a reprise na íntegra de Villareal X Real Madrid numa insossa madrugada de sábado.


Como qualquer mito futebolístico, talvez aquela compilação da Placar fosse o suficiente para os menos exigentes e meros observadores. Mas eu, um estudioso e crítico do esporte bretão (como todo aquele que nunca teve coordenação para jogar) e fanático por cinema não me contentei com meros trechos de lances esparsos, fui atrás de do filme do maior jogador contemporâneo(!) numa obra que entrou no festiva de Cannes (!!), sendo todo visto da visão do campeão - assim estava descrito na traseira da caixinha do DVD.

Juro que imaginei alguma coisa tipo Doom ou quaisquer jogo de primeira pessoa e você lá, livre para Zidanear pelo campo, flanando elegantemente. Achei que era isso ou algo mais ousado e inimaginável como uma mistura de Fuga Para Vitória, Boleiros, Trapalhões e o Rei do Futebol (pra explorar a veia cômica do craque), tudo isso sendo ao mesmo tempo um mash-up artísticos e sensíveis de Caché e Jules e Jim.
Expectativas exageradas a parte, é um filme de futebol que foi exibido em Cannes! Era obrigação, dever cívico assistí-lo

Doce ilusão.Pode até ser interessante como experimento, diversos planos e perspectivas de um ícone desses...mas quando o cérebro perde o interesse depois de 15 minutos e seu único esforço é o de conseguir se manter acordado, a coisa pegou. Eu nem esboço opinião alguma diante esse enigma múderno, nem como fã de cinema muito menos como apreciador do Corinthi...digo, de futebol. Mas talvez Zidane - Retrato do Século 21, seja válido se todo esse estardalhaço for feito precisamente para reavaliarmos todos nossos ídolos e conceitos, ainda mais com duas das artes mais apaixonantes do mundo.

Recomendo essa magnífico vídeo, um clássico duelo entre Grécia e Alemanha: