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terça-feira, 11 de setembro de 2012

Red Fang no Inferno


A maior aglomeração de barbudos, gordos e tatuados da América do Sul estava em frente ao Inferno Club, esperando ansiosamente para ver o show que, fora dos padrões da esmagadora maioria das casas de shows de São Paulo, estava marcado para às 18 horas de um sábado.





Uma fila imensa se formou na porta, que só abriu depois das 18h30. Acostumados com filas imensas e lentas, essa que se formou ao longo da calçada da Augusta foi surpreendentemente rápida. O atraso da abertura passou desapercebido quando todos entraram num Inferno fresquinho e amigável. 

Show de abertura eficiente do Grindhouse Hotel, que depois de algumas músicas deixou uma pergunta no ar: por que diabos o Róger Marx (guitarrista de boné, de voz mais grave) não acompanha em todas as músicas? Bastou o cara urrar no microfone para dar uma baita injeção de ânimo.

E aí o Inferno já havia virado o Inferno, em termos bíblicos. Absolutamente lotado, com o ar condicionado vencido e a expectativa na Lua. Os roadies e os próprios membros da banda entram para montar o palco, entre acenos e goles de cervejas. E se tem uma coisa que eu respeito nesse mundo são bandas que montam o próprio palco. 

Começa esse que foi (até agora) o maior show de rock na terra papagalli no ano de 2012. Quem era platéia estava radiante. Quem era banda estava grato por poder tocar ali. E o som, meu deus, estava fantástico.


Pancada atrás de pancada, teve duração suficiente para aguentar a hecatombe de euforia, cerveja e suor. Aaron Beam, o baixista e vocalista, falou tudo: “Nós íamos apenas pra Brasília e nos falaram para vir pra São Paulo. Agora eu sei por que.” E tome riff na cabeça. 




Foi ótimo e surpreendente, o show em si e o público que abarrotou o Inferno. No canal do Dangerladz no Youtube, de onde saíram esses vídeos acima, dá pra ver nove ótimas músicas do show. Incluindo os hits youtubais Wires, Hank is Dead e o clipe que é uma linda homenagem aos jogos de RPG, o Prehistoric Dog.

E Que venham mais bandas de pequeno, médio, grande e gigantossaúrico porte para São Paulo, com a mesma qualidade de som, horário decente e preços razoáveis. 

Agora dá licença que eu vou juntar dinheiro e feminilidade pra conseguir ver a Feist no Cine Jóia. Na apresentação do dia 22/10, porque dia 23/10 é aniversário do Pelé. E do meu pai.  

E pra vocês que acham que eu não tenho critério e fico absolutamente deslumbrado com bons shows e chamo qualquer coisa de show do ano, só digo uma coisa: vocês acertaram.

MAS, para conseguir estabelecer algum critério, segue o top 5 de shows de 2012:

1. Red Fang, no Inferno
4. Mogwai, no Sónar
5. Gogol Bordello, no Loolapalooza

sábado, 21 de julho de 2012

BNegão e Os Seletores de Frequência no Cine Jóia



Ontem foi um show especial. Daqueles que condensam história. De poder ter escutado Planet Hemp nascer, morrer, ter visto o primeiro do BNegão sair na revista do Lobão e agora, depois de oito longuíssimos anos, num Cine Jóia semi-cheio, poder estar no lançamento do Sintoniza Lá.

E realmente foi um lançamento completo. Todas as 11 faixas estavam aparecendo na ordem (incluindo a dobradinha das fantásticas e epifânicas Proceder/Caminhar e Vamo!) quando FOMOS SURPREENDIDOS NOVAMENTE: Dorobô, a música que BNegão gravou com Sabotage, enquanto projeções gigantes do Akira passavam pelas paredes do Cine Jóia. 



Depois dessa supresa, o que era uma bela primeira e rápida apresentação de um novo trabalho ia chegando aos finalmentes. A pergunta era eminentes: mas e o Enxugando Gelo? Calma, cara.

Acabou Sintoniza Lá, última música do novo álbum, e começaram as pancadas. 


Enxugando Gelo. Priorize as Prioridades com um pedacinho de Trem das Onze. Funk até o Caroço e a dupla matadora Qual é o Seu Nome e A Verdadeira Dança do Patinho. Puta. Que. O. Pariu. Amiguinhos. Impressionante como o Enxugando Gelo marcou todo mundo que tava ali.



Fim de show, saem os músicos e sobra só um beatbox + trompete com Minha Jangada Vai Sair Pro Mar. E fim.



Ouso dizer que esse é um dos favoritos a show do ano, mesmo com The Cure vindo aí, Mastodon batendo na nossa porta, Foo Fighters inflamando 70 mil pessoas e o White Denim numa das noites mais pitorescas de São Paulo.

BNegão e os Seletores de Frequência estão oficialmente dentro da categoria bandas-brasileiras-que-meus-filhos-serão-obrigados-a-escutar, mesmo que seja para dizer que não gostam.

Dentro dessa categoria estão Racionais, Los Hermanos, Adoriran Barbosa e Ultraje a Rigor.
E não se esqueça: Hoje pavão, amanhã espanador.