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quarta-feira, 24 de março de 2010

Redenção

Eu não entendo nada do que é ser gente grande. Uma vida comprida, cheia de gente, todo mundo olhando, sugerindo, se amontoando. Isso parece tão distante quanto as mais longínquas memórias da minha primeira infância.

E pessoas públicas, gente que em algum ponto da vida teve que escolher entre o anonimato ou o arreganho da sua vida. E como as tietes são minoria, acabam sendo considerados pelo grande público congelados por algumas bobagem que fizeram estampada nas primeiras páginas. Esses eu realmente não consigo entender. Como uma trajetória fica limitada a um grande e retumbante fato, seja ele ridículo ou glorioso? Parece tão pouco.

E aí, quando você olha mais de perto, vê que estadistas excepcionais, esportistas mitológicos, ídolos são só velhos confusos, ou moleques petulantes, dependendo da sua época.
O Tyson mordendo orelha, Maradona saindo de mãos dadas com a enfermeira, coisas do gênero. Mas qual seria o jeito mais "fidedigno" (com todas as aspas possíveis desse mundo) e completo pra conseguir mostrar uma vida toda holofotada dessas?

Mesmo não tendo jeito que seja o suficiente pra tentar representar a vida de alguém, acredito que o melhor deles sejam os documentários biográficos.

O grande foda dos documentários é que eles sempre tem uma estranha pretensão quanto ao objeto observado: a consagração, a demonização ou a redenção. São poucos que conseguem filmar com uma premissa minimamente imparcial (não que a imparcialidade plena exista, mas minimamente). Quando isso acontece surgem obras difíceis como Estamira, que alguns endeuzam ("Aí meo, Estamira mostra a lucidez dos loucos dentro das vísceras do sistema!") e outros a ignoram ("Filme fica duas horas mostrando uma mulher louca do lixão. Agora tira esse óculos de aro grosso que eu sei que você gosta é da Ivete")

Mas dentro dessas categorias, existem três filmes que, se não são imperdíveis para quem gosta de cinema, são imperdíveis pra quem gosta de algum dos assuntos em questão: boxe, futebol e política.

São muito diferentes de biografias que endeusam, tipo Pelé Eterno.


Feito por um fã que, ao que parece, só fez o filme quando teve dinheiro o suficiente só pra virar amigo do seu muso. Algumas horas chega a ser tosco, coitado. Mas vale pra ver a loucura dos fãs, o quão incontestável Diós é em algumas regiões, e quando ele não passa de um gordo com mullets que usa dois relógios em outras. O fã, no caso, é o Kusturica.

Tyson
Parece que feito no confessionário (me conte seus pecados cabeludos). Depois de tudo que esse monstro (no MELHOR sentido da palavra) fez, incluindo recordes, cagadas, títulos e afins, ele aparece se justificando. Seja seu excesso de confiança, a falta dela, juventude, empresários mercenários, o cara que foi capaz de 50 vitórias (44 knockouts) fala com voz mole de como perdeu muito do que tinha.

É, o pessoal envelhece, fica mais tranquilo. Bom saber que ele não precisa mais lutar pra ganhar dinheiro, só fazer pontas em filmes de comédia.

Feito por um documentarista contestador

O documentário, um diálogo aberto entre McNamara e Errol Morris (o diretor), onde o McNamara lista 11 lições da guerra. Um quê de A Arte da Guerra de um yuppie absurdamente inteligente e petulante. Enquanto discorre sobre suas importantes decisões (era presidente da Ford, depois assumiu a Secretaria de Defesa dos EUA e foi presidente do Banco Mundial) e relacionamentos com Kennedy, Johson e Nixon, ele se desdobra para explicar algumas decisões impopulares, a Guerra do Vietnam e sua carreira empresarial e política.

Das 11 lições (link), a que mais me impressionou e surgiu como um lampejo de lucidez foi logo a segunda:

Rationality will not save us

Os Estados, seus chefes, seus ministros são homens com muito poder e muita gastrite. Talvez apenas o tamanho da ferida dentro do estômago seja o que os diferencie do resto das pessoas no mundo. Ou nem isso.

E no meio de várias frases de efeito, discursos inflamados, McNamara chora. Assim como Mike Tyson e Maradona em seus respectivos retratos. Será que pra mostrar o homem por trás do excepcional, precisa mostrar o cara chorando?

Das imensas voltas da vida dessas três pessoas, no auge eram exemplos, ícones, deuses para uma grande número de pessoas Depois do desencanto, viram exemplos de mediocridade pra chegarem no final como párias de um tempo remoto. Isso me lembra de uma frase do Batman: O Cavaleiro das Trevas :

"You either die a hero or live long enought to see yourself became the villian"

De verdade. Acho que como muita gente, penso direto o que seria do símbolo Che se o homem ainda existisse.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Lars Von Trier e Sam Raimi, um bom 2009


Um nunca se prendeu a gêneros. O outro sempre se gostou do popular, quando não tendia ao pastelão.


Aí eles fazem Anticristo e Arraste-me Para o Inferno e provam que o Terror não é um gênero, é um estado de espírito.



O Lars, dinamarquês incômodo e intelectual. Mesmo na depressão profunda, fez um dos grandes filmes desse ano. Fortemente referencial, intelectual e visceral, incomoda muita gente.

De pais auto declarados comunistas e nudistas, que "não davam muito espaço para sentimentos, religião e prazeres, e se recusavam a determinar qualquer regra para seus filhos". Formou-se como cineasta (se é que isso é possível) pelo Danish Film School.


Em 1995, a mãe dele revelou em seu leito de morte que seu pai verdadeiro era um antigo empregado descendente de uma linhagem de Músicos Católicos Clássicos, e que fez isso para colocar em seu rebento alguns genes artísticos.



Ele tem um milhão de tipos de fobias e parece ter um certo prazer declarado em fazer com que quem assiste seus filmes tenha medo, aflição ou algo realmente incômodo. Que colocou em seu versículo 8, do Manifesto Dogma 95 - "Filmes de gênero não são aceitos".


Uma atípica persona, mas um típico artista.


Aí tem o Sam Raimi, que baseou seus primeiros filmes nesse gênero e volta as origens, com a mesma vontade de antes, mas agora com grana e experiência necessárias. Fã inveterado dos Três Patetas, era filho de uma vendedora de langeries com um vendedor de móveis, largou a faculdade de Inglês para se dedicar a Evil Dead, seu primeiro filme.



Depois fez algumas relíquias , foi produtor executivo daquelas séries sen-sa-cio-nais Hércules e da simbólica Xena, fez uma ponta como ator no primeiro filme dos Flintstones (!?!?!?!), tem uma relíquia perdida de 1985 que o roteiro é assinado pelos irmãos Coen (Crimewave) e fez todos - e nem sempre bons - filmes do Homem-Aranha.


E aí imagine, pra qualquer um dos dois: agora vocês já são gente grande, com seus 50 anos, já fizeram filmes vistos no mundo inteiro, tem um séquito de admiradores e tem total liberdade criativa para fazerem um filme.


E qual é a conclusão? 2009 é um puta ano, não só pro gênero, mas pro cinema. Cabeçudo ou canastrão, todos ganharam.


O legal do dito "cinema de gênero" é exatamente isso: não ter o menor padrão, a não ser pra enquadrar no seu guia preferido e espantar pessoas como a minha mais retardadas que numa terça tem vontade de assistir "uma boa comédia romântica". Nada contra o gênero, mesmo por que Superbad É uma comédia romântica....mais ou menos.


É como aqueles filmes fantásticos que são sem gênero: tipo Dolls, do Takeshi Kitano. Ou aqueles que tem todos, como O Hospedeiro, do Joo-ho Bong.


E depois de explorado o Ocidente, o negócio é partir pro terror oriental. Tipo assim:



E a gente se vê no Inferno.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Na Natureza Selvagem

Esse filme me perseguiu durante o bom tempo que ficou em cartaz . Primeiro por ser do Sean Penn, que dirigiu o sensacional e subestimado A Promessa. Segundo pela trilha feita pelo Eddie Vedder. Terceiro por ter sido lançado quase que no mesmo tempo que eu havia acabado de assistir O Homem-Urso ( documentário do Werner Herzog) e ainda estava bem impressionado com toda aquela coisa de natureza, homem, selvagem, mato e tal.


Depois de assistir, acabei relevando os dois primeiros itens (Sean Penn e Eddie Vedder) e ignorei veementemente a terceira comparação (com "O Homem-Urso"). Apesar que muito pontuado pela trilha sonora e por alguns exercícios do diretor (alguns realmente sem o menor sentido), o grande trunfo é realmente o retrato e a história de Alexander Supertramp, e a inevitabilidade de sua história ser contada por alguém.

Deveria ser admirado pela coragem, pelo ódio que nutre pelos pais (que representam tudo que é ou pode ser maior que ele) e pela humildade de transgredir tudo isso, quando perceber que a tal "verdade" tão buscada não passa de uma projeção de uma consciência mimada e que a felicidade só é genuína quando compartilhada.


É o enaltecimento de um herói deslocado com uma incrível capacidade de abstração. A sua história permite que terceiros façam o que quiserem de seu mito, colocando-o no pedestal que bem entenderem. Poderia ser um filme panfletário sobre o romantismo ingênuo, sobre neo-hippies, sobre decadência da sociedade e tantas outras coisas que a história permeia, mas não chega a explorar. Apesar do retrato caricato da família (pais centralizador e frio, mãe omissa e crianças traumatizadas), é difícil de perceber o que existe além do óbvio da relações de todos eles, incluindo o velho que quer adotá-lo, a nova mãe hippie, a menina que é o espelho da irmã e todo mundo.


Talvez o que sobre mesmo seja contemplação e ter a serenidade de discernir que isso tudo não é uma disputa.



segunda-feira, 15 de junho de 2009

Um convite phyno

Gustavo diz:
isso nao vai fazer vc desistir do meu convite mega vip neh|?
Gustavo diz:
eh tipo um filme da xuxa com o didi sobre modelos....
Gustavo diz:
se pensar um pouco vc adivinha o titulo
Fernando Spuri diz:
um Desfile muito louco?
Gustavo diz:
HAHAHAHAHAHA
Gustavo diz:
nao
Fernando Spuri diz:
Passarela de Cristal?
Gustavo diz:
HAHAHAHAHAHA
Gustavo diz:
adorei isso
Gustavo diz:
vai
Fernando Spuri diz:
Modelos do Barulho
Gustavo diz:
to rindo mto aqui
Fernando Spuri diz:
Super modelos contra a baixo auto estima?
Fernando Spuri diz:
desisto
Gustavo diz:
top models um conto de fadas brasileiro
Fernando Spuri diz:
AHAHHAAHHHHAHSdhiada
Fernando Spuri diz:
adshasdahahahahahhaahahaha
Fernando Spuri diz:
HAHAHAHAHAAH um CONTO DE FADAS BRASILEIRO!?W?!W!OW!W
Gustavo diz:
eu avisei...
Fernando Spuri diz:
vai ter comida lá?
Gustavo diz:
a comida eu nao sei
Gustavo diz:
depende do seu potencial
Gustavo diz:
pode ser um mcbudchen



Esse look romântico, esse look novo, da moda, né?

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Edward Bunker, e alguns fodões que fariam belas parcerias

Tudo começou com um inocente meme que a Tay me passou há miliano pelo blog dela. É bem simples:

1. Pegar o livro mais próximo.
2. Abrir na página 161.
3. Procurar a 5ª frase completa.
4. Colocar a frase no blog.
5. Não escolher a melhor frase nem o melhor livro! Utilizar mesmo o livro que estiver mais próximo e seguir à risca às outras instruções.

E o livro que estava ao meu lado era: Educação de Um Bandido (autobiografia) – Edward Bunker

“O ponteiro dos segundos avançava lenta mas inexoravelmente, e os outros ponteiros se moviam com a mesma implacabilidade.”

A sorte foi esse ter sido meu livro mais próximo desde Dezembro/08. As quase 400 páginas são fluidas como romances medíocres, mas recheio é sensacional. O texto, assim como a vida de Bunker, é direta e visceral. Por mais que a frase acima não faça jus ao livro, muito menos à vida do autor, ilustra o mais presente dos sentimentos de sua saga, grande parte encarcerada.

“Edward Bunker nasceu em Hollywood em 1953 e passou dezoito anos, divididos em três períodos, encarcerado. Tinha dezessete anos quando foi para San Quentin pela primeira vez e foi o prisioneiro mais jovem a ser enviado para lá. Ele deixou a prisão definitivamente em 1975. Além de sua obra literária, Bunker também fez diversos trabalhos para o cinema, como roteirista e ator. Sua atuação mais lembrada é o personagem Mr. Blue em Cães de Aluguel (1992), de Quentin Tarantino.” Trecho retirado do site da editora Barracuda.

Aham. É, depois de ler essa petit introduction fica difícil de largar. Tudo acontece lá por aqueles lados da Califórnia, nos desertos e descampados que um maluco algum dia achou genial a idéia genial de se cavocar por lá, plantar laranja, procurar ouro, coisa e tal.

Além de fascinantes regiões desérticas, o livro alinha a história do Oeste estadunidense no decorrer do século 20 partindo da vista, em sua maior parte, de um detento. O legal é a ponte que ele conseguiu construir entre os marginalizados e os intelectuais/artista, partindo da visão muito exclusiva do verdadeiro marginal/artista. Ele é o exemplo máximo dos escritores malditos

Quando soube que o eterno Mr. Blue teve uma puta duma vida, era um baita escritor e ainda atuava fazendo o papel dele mesmo, me ganhou no ato. Quando descobri coisas ainda mais fascinantes:

Edward Bunker faz o papel de um policial no clássico de ação 90´s Tango & Cash, do efusivo Stallone e do camaleônico Kurt Russel. Entre aqueles inúmeros filmes de ação com detetives cachorro, detetive que cai o ombro, detetive que tá se aposentando, todos os tipos de detetives, esse é um dos mais legais. Se você teve infância e SBT, certeza que já assistiu comendo pipoca com Ajinomoto (ou isso era só eu?).

Saindo do devaneio noventista acima e juntando a saga de Edward Bunker com cinema mais uma vez, existe um personagem que, apesar de magistralmente interpretado por Josh Brolim, ficaria über sensacional nas mãos de Bunker: Llewelyn Moss. Um dos principais neo-cowboys do novo e instantâneo clássico “Onde Os Fracos Não Têm Vez”, dos irmãos Cohen.

Apesar do personagem não ser um fora-da-lei clássico, os impulsos instantâneos que o levam a agir são os mesmo que fazem de Bunker quem ele é. São aqueles sem aparentes (veja bem, eu disse aparentes) laços afetivos que se tornam os verdadeiros e furiosos estrangeiros, que na verdade estão exilados pela vida, como Camus um dia mostrou (aliás, Bunker leu O Estrangeiro, dentre muitos outros livros, na prisão).

E descobrindo todos os exilados dos Cohen que passam por obras-primas como “O Homem que Não Estava Lá” – mais literal impossível -, “O Grande Lebowski” e tantos outros, descobri um filme escritos pelos irmão, mas dirigido pelo Sam Raimi !?

Sam Raimi fez os Homem-Aranha (e?) e os filmes de gore/terror/autoral pastelão como A Morte do Demônio, a Encarnação do Demônio 2 e Uma Noite Alucinante 3, que podem ser considerados as continuações e os nomes mais sem sentido da história do cinema. Apesar de não ter nada a ver com grandes sagas americanas, estrangeiros marginais ou ter o mínimo de critério com o início desse post, são muito legais.

Vai atrás do Crimewave, escrito pelos Cohen e dirigido pelo Raimi num longínquo 1985 e delicie-se com essa bela parceria (que eu ainda não vi). Se encontrar, me avise.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Filme de Monstro, monstro de filme


Pobres namoradas. Antes mesmo de ter que agüentar a nova leva de adaptações dos heróis dos quadrinhos para o cinema, já existiam os filmes de monstro. É não são aqueles filmes de monstro classudos, bonitos, cheios de carga dramática a aflições como são Nosferatu, O Exorcista (pq o diabão também é monstro) e afins, mas aqueles bem farofeiros, que dá até dó de levar qualquer tipo de companhia que não seja seu irmão ou amigo mais novo.


Mas as coisas estão mudadas! Quem assistiu O Hospedeiro, sabe do que eu tô falando. Lançado um pouco antes da bomba Cloverfield, muito mais pretensioso e superestimado, a Coréia do Sul manda essa obra-prima, que passa por todos os gêneros-gêneros (comédia, ação, drama, terror, bla bla bla) e cria uma coisa nova. Fantastique, esse filme até menina pêra-com-leite gosta. Não ficava tão feliz com o cinema oriental desde a maravilhosa Trilogia da Vingança (Sympathy for Mr. Vengeance, Old Boy e Lady Vengeance), tríplice de Chan-Wook Park.


Aliás, filmes de monstro são uma das mais nobres categorias cinematográficas. Apesar de uma gama gigantesca de possíveis sub-gêneros como zumbis, E.T.s (ou Osnis), vampiros, fantasma, lobisomens, mutações genéticas, dimensões paralelas, cyberespaciais, do lodo, da lama, do pântano, e até do armário, todos têm alguma coisa fascinante em comum. Alguns mestres são passíveis de citação como Dario Argento, George A. Romero, Fritz Lang e o ilustríssimo Zé do Caixão. E é por essas e outras que vou dissecar com astúcia, malícia e suíngue os diversos gêneros de filmes de monstro e as coisas mais legais já feitas.



Lá vai. Mas antes:

PS Realidade: Tem monstro oriental gigante em Minas! Uma carpa de 63kg e de aproximadamente 15 anos foi pega por um minerim muito do sossegadim que assustou com tamanhão do bichão que ficou na rede. Não ia ter a menor graça se o Godzilla invadisse BH...

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Sam Rocka Legal

Um daqueles atorezinhos que veio surgindo devagar, carcomendo pelas beiradas de produções toscas, filmes C com o Bem Affleck e podreiras afins, que tem uma cara e uma pose tão características que não tinha como passar desapercebido.

Ele come de boca aberta, vomita palavrões, grita, esperneia, abre espacate, pega as Panteras, soca, pinta e borda. Enfim, uma personalidade lixão que só serve nos personagens mais legais.

Ele chamou a atenção pela primeira vez quando assisti A Espera de Um Milagre, aquele do corredor da morte que fez um estardalhaço, o filme preferido de 4 entre 5 fofos do segundo grau do longínquo colegial. Ele fazia o papel do serial killer alucinado que cuspia merda (ou era bolo de chocolate?) e mandava todo mundo pra puta que o pariu e parecia ser o único que parecia estar curtindo o rumo a cadeira elétrica.

E continuei vendo aquela cara esticada meio amassada em algumas produções menores, que sempre ficavam com um pé no independente e outro no blockbuster, mas sempre fantásticas.

Tirando a única bomba (que eu me lembre), a lástima gostosa que foi As Panteras, ele só fez coisa legal. Se juntou a David Mammet, rei dos bons filmes de ação em O Assalto. Depois, foi um dos pontos altos do filme do Guia do Mochileiro das Galáxias, como o Presidente da galáxia Zaphod Beeblebrox. Encarnou o mais malaco dos malacos em Os Vigaristas, um dos filmes mais legais do Ridley Scott, e ainda teve tempo de fazer um papel no escondido Tudo Por Um Segredo, produção subestimada que acabei assistindo sem querer.


Mas tem um filme que foi o auge, o pico everestiano. Dirigido pelo canastrão e ainda assim um puta diretor George Clooney, roteirizado por Charlie Kaufmman, guru da não tão nova nova geração, veio ele: o fantástico, o pitoresco, o todo torto Confissões de Uma Mente Perigosa, uma das biografias mais intensas já feitas pelo cinema.


Ainda que no meio de uma constelação de atores fodões, Sam Rockwell se destaca e parece a única pessoa no mundo capaz de interpretar esse Chuck Barry. Quem sabe quem foi , sabe que não é pouca coisa, e quem não sabe, pare de ver Em Nome do Amor e vá logo assistir.




O último filme dele lançado aqui no Brasil foi o Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford, onde faz o papel de Charley Ford. Tanto Casey Affleck (Robert Ford), Brad Pitt (Jesse James) e o Sam Rockwell estão brilhantes, cada um com sua imaturidade, serenidade e insensatez de cada personagem. Esse é outro ponto alto do cara, apesar do filme inteiro sre uma obra-prima. Parece alguma coisa diferente, uma espécie de drama psicológico de pistoleiros reais, de um bando de gente de verdade que sabia exatamente como virariam história. Todo nebuloso, mas perfeitamente claro.


E agora, lendo o Update or Die, vejo que o filho da puta ainda vai fazer o protagonista de um dos livros do Chuck Palahniuk (o mito). Só o trailer já do o gostinho, que tem algo como Clap Your Hands and Say Yeah! na trilha. Esse vai ser foda.


É o Choke:


PS: Ele ainda participou daquele seriado infanto-bizarro Pete & Pete, do Celebridades do Woody Allen e aquela super adaptação do Sonho de Uma Noite de Verão.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Michael Mann, my man



Tudo começou com aquele cartaz misterioso do Ali no cinema do Raposo Shopping, em meados de 90 e algo. O Will Smith como maior e mais incrível pugilista de todos os universos soava, no mínimo, interessante. Como o magrelo dito cujo preenchia minhas tardes ociosas como o Príncipe Fresco de Bel-Air (ou Fresh Prince of Bel-Air, para os colonizados) poderia interpretar um peso-pesado que flanava como uma borboleta e ferroava como uma abelha?

E aquele maldito filme nunca apareceu no cinema. Passaram-se muitos invernos e nada do campeão aparecer. Desolado, vaguei pelas locadoras em busca de algo que pudesse suprir minha carência. Resolvi partir para a com violência gratuita e tramas entrelaçadas repleta de explosões. Passei por todos os Duro de Matar (na época só tinham dois), Rambos, Vingadores do Futuro, Exterminadores do Futuro, Escaramuçadores do Futuro, Professores do Futuro, entre outras bombas protagonizados por Mark Dacascos, Dolph Lundgren e o insuperável e sensacional Jackie Chan, atores esses que merecem posts futuros.

Numa dessas andanças encontrei uma antiga pérola que nunca havia assistido: Fogo Contra Fogo, com Al Pacino e Robert de Niro juntos, dando tiro pra tudo quanto é lado enquanto o Jim Morrison (Val Kilmer) solta suas penas de um lado pro outro. Baita filme, incrível como superava qualquer outra coisa do gênero que já tinha assistido. Pois bem, ficou na memória.

Algum tempo depois, encontrei num despretensioso canto de lançamentos não tão novos, aquela cara de parede, com protetor de dentes. Era ele, o campeão, foi direto pra locadora! Bumaye Ali! E o melhor, o filme não só atingiu como superou (olha que isso é bem difícil!) todas as minhas possíveis expectativas de mero mortal. É incrível, toda a reconstituição, todo o roteiro, todas as lutas, as personalidades. E, principalmente, a direção.

O filme tinha tudo pra chamar a atenção sozinho e deixar o diretor de lado. Foi o primeiro filme que tinha alguma coisa diferente assim na tela, alguma coisa granulada, menos profunda, mais seca, quase impossível de explicar. Fui descobrir, muito tempo depois, que aquilo tudo era filmado em digital e feito pelo mesmo diretor de Fogo Contra Fogo!

Eram dois filmes que por mais que fossem mega classudos, eram muito diferentes. O Ali parecia filme de um promissor novato, um diretor maluquinho filho de mestres que pegou o jeito da coisa e mandou ver no digital. O do Fogo, um velho sacana de boina da velha guarda da ação que passou impune pelos horrores da década de 80 (incluindo Chuck Norris) e fez a última obra-prima do gênero nos 90. E no final das contas eram a mesma pessoa! Sen-sa-cio-nal.

E aí veio Collateral, o quase perfeito. E a única coisa que me incomoda no filme (cuidado! spoiler!) é aquele maldito final, que insisto em acreditar foi imposto por produtores politicamente corretos.

Despues, Miami Vice. Nunca assistiria Miami Vice se não fosse pelo diretor admirado. Aquela série dos puliça malaco usando blazer branco em Miami nunca me apeteceu. E o melhor, é tão bom quanto Collateral, Ali e Fogo Contra Fogo. Obrigado Senhor.

Agora veio isso, um comercial da Nike intitulado Leave Nothing, dele mesmo:


Depois disso, só posso esbravejar: Michael Mann, my man!

E dá até vontade de assistir O Último dos Moicanos, que também é dele.

domingo, 25 de novembro de 2007

Ah o Mar! Película azule

O Mar! Saudoso companheiro que nunca vieste. Nada melhor que as películas vistas da quentinha poltrona de um cinema ou de um sofá engolidor de pessoas e ambições para conseguir retratar o megalomaníaco incógnito que é o Azulão.


Com o Mar, vêm as pessoas que nele navegam. Os estivadores, os lobos, os piratas, os capitães, os Lusíadas, os amendoins, as sereias. São tantos bravos desbravadores que citar nomes seria tão injusto quanto ter uma garganta cortada por um embriagado bucaneiro em troca de três vinténs e um biscoito de salmoura.

Lá vão os melhores:

-Como melhor crônica, melhores personagens e melhor canja pro coração: A Vida Marinha com Steve Zissou, a obra-prima. Um retrato fiel e cotidiano de um dos maiores exploradores/ pesquisadores marinhos que o planeta água já teve. Mergulha de cabeça numa caçada rumo ao desconhecido, motivado pelo mais nobre dos sentimentos humanos: a vingança. É lindo, é do bem e é colorido, sem ser franga pepino-do-mar filme de mulherzinha. Coisa de macho que é tão macho que tatua um cavalinho marinho roxo no colo do útero.




-Como maior angústia do mundo e provável causador de úlceras fortíssimas: Mar Aberto, o terror. Nenhum marujo que se preze subestima os perigos do mar, muito menos os trata como diversão...foi esse o ledo engano do casal ternura protagonista. Pra quem acha que o mar é só marola e golfinho. Há, macacos mimados.




-Como falcatrua realista, coisa de quem monta maquetes de porta-aviões escala 1:50 da Revell: Mestre dos Mares, o Lado Mais Distante do Mundo. Só pra quem é fluente em marinherês, já que sempre que o gajeiro se prepara para manobrar a bujarrona sete braças à bombordo, esperamos que saia um drink, daqueles com gardachuvinha colorido e tecos de abacaxi. Mas não deixe que isso te intimide, a embarcação é firmeza e a tripulação faz de tudo pra te deixar o mais confortável possível.


-Como exemplo desconexo e que só tem a ver com mar por motivos freudianos: Chuva de verão. Só não desidrata de chorar ao assistir quem já está mergulhado no mar. O Mar faz apenas algumas aparições como coadjuvante, vezes cômico e sempre trágico. É de doer, tem cheiro de infância com Sundown e mojitos, mesmo lembrando do filme inteiro como um copo aguado de whisky com gelos acinzentados.


Agora, antes de voltar a garrafa de rum, recomendo o blog do Almirante Nelson, marinheiro de longa data.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Be Kind, Rewind

O melhor filme de todos os tempos está por vir.
Michel Gondry e Jack Black falando sobre cinema, mas cinema nosso mesmo.




Acho que não tem um filme do Gondry que eu não me emocione por inteiro.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Zidane - Retrato do Século 21

Quem diria que 90 minutos de diversas câmeras (35mm e HD) sempre (des)focando seu Ziszou pudesse virar um filme? Documentário a lá vídeo arte. Não consegui assistir até o fim, mesmo porque não estava esperando assistir a reprise na íntegra de Villareal X Real Madrid numa insossa madrugada de sábado.


Como qualquer mito futebolístico, talvez aquela compilação da Placar fosse o suficiente para os menos exigentes e meros observadores. Mas eu, um estudioso e crítico do esporte bretão (como todo aquele que nunca teve coordenação para jogar) e fanático por cinema não me contentei com meros trechos de lances esparsos, fui atrás de do filme do maior jogador contemporâneo(!) numa obra que entrou no festiva de Cannes (!!), sendo todo visto da visão do campeão - assim estava descrito na traseira da caixinha do DVD.

Juro que imaginei alguma coisa tipo Doom ou quaisquer jogo de primeira pessoa e você lá, livre para Zidanear pelo campo, flanando elegantemente. Achei que era isso ou algo mais ousado e inimaginável como uma mistura de Fuga Para Vitória, Boleiros, Trapalhões e o Rei do Futebol (pra explorar a veia cômica do craque), tudo isso sendo ao mesmo tempo um mash-up artísticos e sensíveis de Caché e Jules e Jim.
Expectativas exageradas a parte, é um filme de futebol que foi exibido em Cannes! Era obrigação, dever cívico assistí-lo

Doce ilusão.Pode até ser interessante como experimento, diversos planos e perspectivas de um ícone desses...mas quando o cérebro perde o interesse depois de 15 minutos e seu único esforço é o de conseguir se manter acordado, a coisa pegou. Eu nem esboço opinião alguma diante esse enigma múderno, nem como fã de cinema muito menos como apreciador do Corinthi...digo, de futebol. Mas talvez Zidane - Retrato do Século 21, seja válido se todo esse estardalhaço for feito precisamente para reavaliarmos todos nossos ídolos e conceitos, ainda mais com duas das artes mais apaixonantes do mundo.

Recomendo essa magnífico vídeo, um clássico duelo entre Grécia e Alemanha: